quinta-feira, 6 de novembro de 2025

O VAQUEIRO

 


 

O gado caiu na caatinga

Trabalho duro do vaqueiro

Pega o cavalo, coloca a sela

O gibão de couro veste ligeiro

Entra na vegetação cerrada

Por lá passa o dia inteiro.

 X

A tardinha volta cansado

No outro dia precisa voltar

No rosto aquele sorrisão

Esperando a noite chegar

Um banho e bom café

É hora de descansar.

X

E quando o galo abre o bico

É hora de se levantar

A labuta vai ser grande

Um amigo foi ajudar

E os dois seguem felizes

Para o gado encontrar.

 X

Logo adentravam na caatinga

De longe ouvem o gado berrando

Cavalos no trote apressado

Logo foram avistando

Lá estavam as vacas e novilhos

Tranquilos foram chegando.

X 

O boi era chefe da turma

Com seu porte elegante

Estava mais afastado

Com seu olhar distante

Parecia querer avisar

Que algo estava adiante.

 X

O gado com aquele alvoroço

Correram naquela direção

O cavalo já cansado

Começa a perseguição

Era um novilho caído

E veio a preocupação.

 X

Os vaqueiros decidiram

O gado todo levar

Mais tarde voltariam

Para a vaca transportar

Precisava trazer mais gente

Para conseguir levantar.

 X

E assim os dois fizeram

Com o gado já arrumado

Vaqueiro que é vaqueiro

Não foge do combinado

Com apoio de amigos

O novilho foi resgatado.

 X

Autoria- Irá Rodrigues

Santo Estevão-Bahia

              Brasil

O MENINO JOSÉ

 


Foi criado na roça

Bem perto de um ribeirão

Desde cedo ele enfrentava

Roçar ato com o facão

Seu pai não descuidava

De lhe dar educação.

X 

Aos nove anos de idade

Zé começou a estudar

Acordava de manhãzinha

O caminho a enfrentar

Era longe a escola

Muito tinha que caminhar.

X

Na escola era aplaudido

Caprichoso e inteligente

Em todas as aulas

Ele só sentava na frente

Tudo que era ensinado

Ele aprendia de repente.

 X

Em pé na grande cozinha

Engolia seu café

Batata, abobora e aipim

Se alimentava o Zé

De sacola no ombro

Pela estrada seguia a pé.

 X

Zé concluiu os estudos

Na capital foi morar

De dia era padeiro

A noite foi estudar

Nunca perdeu um ano

E logo vai se formar.

 X

Irá Rodrigues

 

 

BÊNÇÃO DO CÉU

 


 

A chuva quando cai

Encharca o chão rachado

Onde nada nascia

Vem o verde abençoado

E o homem sorri contente

Plantando milho no roçado.

 X

Na luta do tempo seco

O homem é discriminado

Limpa a terra com enxada

Sem direito ao arado

É com a força do braço

Que o seu chão é preparado.

 X

Essa é a luta do campo

Sai cedo vai pra lida

Na moringa leva água

Na capanga a comida

Passa o dia no mato

E sabe valorizar a vida.

 X 

E quando sobra um tempo

Vai fazer um repente

O cansaço do homem

Passa assim de repente

É na boca da noite

Que se reúne essa gente.

 X

 

Autoria- Irá Rodrigues

 

A VIDA DA ROÇA

 

O homem levanta cedo

Vai cuidar do seu gado

Bezerros num lado preso

Logo o leite é tirado

O resto o dia é todo ocupado.

X

Quando a tarde vai findando

Ele olha aquela beleza

O céu com nuvens pesadas

Que lindo é aquela grandeza

Senta no avarandado

Admirando a natureza.

X

O mandacaru floresceu

Esperando a chuva chegar

As terras estão roçadas

Chuva caindo é hora de plantar

Mas se ela não vier logo

Não tem como cultivar.

X

Irá Rodrigues

 

 

 

 

NA ROÇA

 


 

Lá nas bandas do riacho

Tem um velho Juazeiro

Onde o gado descansa

O urubu faz seu poleiro

Se não acha o que comer

Voa dali ligeiro

.

Tem uma bela aguarda

Que é mesmo uma beleza

Em volta se enrola o verde

Como é linda a natureza

E o homem do avarandado

Se orgulha da grandeza.

 

Pertinho da casa tem

O canto do passarinho

O quero, quero gritando

Na beirada do caminho

E a coruja medrosa

Escondida no seu ninho.

X 

Tem o velho bode Tião

Que tem medo da chuva

É só o tempo mudar

Ele aparece na curva

Coloca seu cachecol

E não esquece a luva.

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Autoria-Irá Rodrigues.

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O HOMEM DO CAMPO


Quem foi criado na roça

Não lhe falta o sustento

E se sobra pode vender

A fartura do alimento

Então cuide da natureza

Nem lhe cause sofrimento.

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O homem que planta sabe

A importância de conservar

Só desmate o que precisa

Pra sua lavoura plantar

E assim o seu sustento

Nunca irá lhe faltar.

 X

No campo de tudo tem

Porco, galinha e o ovo

Verduras e frutas frescas

Para alimentar o seu povo

E cada época de plantar

Começa tudo de novo.

 X

E de tudo é produzido

Milho, batata, aipim e feijão

Tomate, couve e abobora

Leite, doce e requeijão

A natureza fornece tudo

É só cuidar bem do chão.

 X

Água no rio a vontade

Lugar feliz para se morar

Terreiro cheio de ovelhas

E ainda pode pescar

A vida na roça é boa

E não ficam sem estudar.

 X

Tudo que se planta dá

Isso é uma riqueza

O gado berrando feliz

Pastando na natureza

Quem gosta de trabalhar

Nada lhe falta na mesa.

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Autoria- Irá Rodrigues

Santo Estevão-Bahia

              Brasil

 

 

 

LAVADEIRAS

 


 

É costume na roça

Onde se vive uma história

A tradição das lavadeiras

Seguindo sua trajetória

Cada uma com seus saberes

Trazidos na memória.

 x

Essa tarefa é tradição

Vindo de uma vida dura

Muitas são analfabetas

Não conhecem a leitura

Mas trazem a sabedoria

Se conserva a cultura.

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Na beira do ribeirão

 Chega cedo a lavadeira

Bota a roupa no coarador

E começa a brincadeira

Entre um banho e outro

Passa a manhã inteira.

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Quando elas se juntam

Tem causos para contar

Uma traz a novidade

E começam a versejar

É roupa sendo lavada

Botando para secar.

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Quem mora na roça

É assim é a rotina

Dorme na boca da noite

Acorda na matina

O exemplo começa cedo

Desde a vida de menina.


Autora- Irá Rodrigues

 

 

 

 

LEMBRANÇAS

 


 

Com certeza não esquece

E quem não sente saudade

Das belas aventuras

Mesmo vivendo na cidade

Era vida de verdade.

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 As luzinhas dos vagalumes

Deixando a noite encantada

E quando o dia amanhecia

Ouvindo o canto da passarada

E brincar de esconde, esconde

Do meio da milharada.

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E as noites de Lua cheia

Se sentava no terreiro

Ouvindo aquela proza

Nem se acendia o candeeiro

A luz era tão brilhante

Como se fosse um fogareiro.

x 

E na época do milho maduro

Enquanto o milho assava

O avô que era sábio

Uma boa história contava

E se fosse de assombração

A meninada gostava.

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Criança hoje desconhece

O canto de um vaqueiro

Na caatinga atrás do gado

Invadindo o tabuleiro

E na luta atrás do boi

Se passava o dia inteiro.

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Eram tantas histórias

Que a noite se ouvia

As mentiras do pescador

Que contava com alegria

Já pescou até tubarão

Mas se ali não existia.

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Não tem relógio melhor

Que despertar com o galo

A seguir canta a cotovia

E de longe se ouve

O relincho do cavalo

Quando apontava na estrada

Trazendo o velho Gonçalo.

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 Irá Rodrigues

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MEU NORDESTE

 


 

FALAR DO NORDESTINO

 

É falar desse lindo lugar

Terra de povo valente

Sol ou chuva vai à luta

Quem nasce lá no agreste

Orgulho desse sertão

Pedaço amado desse chão

O nosso coração é Nordeste...

X 

Povo rico de cultura

Tem cordel e violeiro

Tem poesia brotando na veia

Ao som  de um pandeiro

Tem história de lampião

Na sanfona de Gonzagão

Lendas vivas no mundo inteiro...

 X

 

Irá Rodrigues

 



ENTARDECER

      Acho o momento mais lindo do dia É quando o Sol cansado vai se despedir A tarde embalada com a brisa do entardecer O céu c...