Sem ter a quem recorrer
Foi embora do sertão
Para não se submeter
A ingratidão da muié
Que tanto lhe fez sofrer.
Colocou sua sacola
Nada mais levaria
Além da sua viola
Um bom dinheiro no bolso
Pra não ficar pedindo esmola.
Deixou seu gado no pasto
A casa toda arrumada
Aquela muié ingrata
Não deixaria mesada
Ela que fosse viver
Na direção de outra estrada.
A tudo que ele tem
Por enquanto a safadeza
Era o que lhe convém
Se o cara lhe abandonasse
Viveria sem ninguém.
Zé estava desconsolado
Precisava se ocupar
Sentou-se na beira do rio
E começou a cantar
Nas cordas da sua viola
Ele podia desabafar.
Chega um vaqueiro lhe pergunta
O que estava acontecendo
Desapeou do seu cavalo
Viu que o amigo estava sofrendo
Levante, essa maldita não merece
Sem medir rodeios foi logo dizendo.
Vamos volte pra casa
Lá é o seu lugar
Não construiu tudo
Pra poder abandonar
Por causa de uma ingrata
Que não soube valorizar.
Pensei sumir no mundo
Disse Zé com sentimento
Eu dediquei todo meu amor
O que ela fez não tem cabimento
Fugir com um desordeiro
Me causando esse sofrimento.
Deixa que siga na vida
Ela não roubou tua liberdade
Com certeza vai se arrepender
De toda a sua vaidade
E logo estará de volta
Rondando pela cidade.
Ela escolheu o cara errado
Não é homem pra se prender
Ele gosta de curtição
E quando por fim perceber
Que está numa prisão
Vai mandá-la desaparecer.
Não vai ter apelação
Nem tão pouco esperança
Acabando o dinheiro
Ele vai colocar na balança
Preferindo sua liberdade
E adeus a confiança.
Eu sou homem pra dizer
Levanta volta pra casa
Vai tua vida viver
Tu és um homem trabalhador
E você vai se renovar
Mué bunita num farta
Levanta, comece a mudar
Sua estima você vai resgatar.
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