Tudo que o Zé fazia
Era um trabalho caprichado
Toda a região lhe procurava
Se tivesse um guarda-chuva quebrado
Tirava perna de um, colocava no outro
E exibia ele todo consertado.
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Era só as chuvas chegarem
Todo mundo lhe procurava
O tempo ficava curto
Noite e dia ele trabalhava
O guarda-chuva novo
Das suas mãos brotava.
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Até aquele velhinho
Que a ele entregava
Pernas por pernas
Com paciência ele
juntava
Se o pano estivesse estragado
Um novo ele colocava.
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Um guarda-chuva quebrado
Trazia aquela tristeza
Quando ficava concertado
Era vitória com certeza
Espalhava aquele sorriso
Diante daquela beleza.
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Essa profissão ficou extinta
Era um oficio louvável
Hoje o guarda-chuva
Virou peça descartável
E assim morre a tradição
Isso tudo é lamentável.
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Infelizmente tudo tem fim
Sem esperar chega a hora
Se quebrou o guarda-chuva
Logo se joga fora
Horas, não tem concerto
Manda esse lixo embora.
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E assim a vida segue
É o defeito da gente
Nesse mundo consumista
Não são as coisas somente
Que estão descartando
E nessa realidade segue em frente.
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Autoria-Irá
Rodrigues
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