A idade que ela tem
Não tenho ideia dos anos
Porta e janelas desgastadas
Nas paredes os danos
O piso estragado
Com lembranças do passado
Saudades e desenganos...
Quantas histórias guardadas
Rachaduras na frente
O telhado quase caindo
Em frente ao sol poente
Hoje vive no deserto
Não se sabe ao certo
O segredo daquela gente...
Em volta o mato cresce
Onde era o grande terreiro
Um pé de alfazema florido
Lembro até hoje do cheiro
Até do gato sem sair do lugar
A espera de o dono voltar
Coitado nem sabe o seu paradeiro...
Na frente um grande lajedo
O pé de umbu que caiu
As lembranças daquele lugar
Sem piedade sumiu
No fundo tinha um laguinho
Recordo até do caminho
O mato hoje o cobriu...
Restam apenas lembranças
Um punhado de saudade
Ali me sinto estranha
Lá se foi à dignidade
Na mente só o cenário
E o canto daquele canário
Que foi preso por maldade...
Irá Rodrigues
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